As influenciadoras de livros...
Rodrigo G. Gomes...dificultam o trabalho de quem lhes oferece toda a base do conteúdo que criam. São leitoras que atrapalham autores/as. Obviamente não se incluem todas as influenciadoras sem exceção, nem se excluem os influenciadores de livros que, apesar de se tratarem de uma minoria, acabam por fazer parte do exato mesmo problema.
5 formas como as influenciadoras de livros dificultam o trabalho dos autores/as em Portugal

1. A pior forma dos autores/as promoverem os seus livros é considerada, geralmente, uma das melhores
As influenciadoras recebem livros dos autores e autoras, de forma gratuita, os últimos que procuram promover o seu trabalho da maneira que é, geral e atualmente, considerada uma das melhores formas de promoção.
Um/a autor/a está disposto/a a enviar um exemplar do seu livro a várias influenciadoras, o que faz com que entrem em prejuízo a partir desse momento, para em troca não receberem resposta ou o vídeo promocional que esperavam depois de enviado o exemplar, ou receberem um vídeo promocional feito com pouco ou nenhum esforço.
Essas influenciadoras escondem-se atrás de uma filosofia de "trabalho" na qual implicam que só um livro do seu agrado merece um vídeo promocional, ignorando o óbvio e natural facto de que todo e qualquer autor ou autora tem confiança suficiente no seu trabalho para enviar um exemplar acreditando de que vai "merecer" essa promoção.
2. A promoção conveniente que só promove a continuação da exploração dos autores e autoras em Portugal
As influenciadoras promovem livrarias mais do que promovem autores/as, permitindo e promovendo a exploração dos autores/as onde os mesmo são quem tem o menor retorno financeiro pelo seu trabalho e investimento. Exploração que essas influenciadoras provavelmente não têm sequer consciência de que existe.
Ou seja, as próprias influenciadoras tornam-se, também, quem explora, ao competir pela atenção e pelo reconhecimento que é naturalmente devido a quem escreve os livros que conquistam a atenção e o coração dos leitores e leitoras, e que, consequentemente, são vendidos.
3. O conteúdo que fazem é principalmente em busca de atenção, livros grátis e o dinheiro que podem potencialmente vir a fazer
As influenciadoras, assim como as livrarias e editoras, estão entre os autores/as e os leitores/as pelos exatos mesmos motivos: há dinheiro a ser feito com o valor sobrestimado que consideram ter e oferecer.
No entanto, as influenciadoras vão mais longe: são também elas leitoras que prejudicam os autores e autoras sob a impressão conveniente e egocêntrica de que acrescentam ao mundo literário só pelo facto de serem as próprias com um livro na mão. E isto, enquanto recebem mais do que aquilo que oferecem pela própria natureza do seu "trabalho".
4. Apresentam-se como adoráveis leitoras ávidas que, na verdade, não têm muito para dizer...
...em vez de promoverem, partilharem ou discutirem as ideias e temas retratados nos livros que leem. Isto, talvez, por sobrestimarem o que é apenas superficial dentro do mundo literário que naturalmente procura explorar a profundidade do que é ser humano.
O único valor que pensam entregar está, na verdade, naquilo que é menos importante enquanto tentam, de forma quase desesperada, tornar tudo sobre si e a sua "opinião" que pouco vale para quem quer que seja de tão preguiçosa, fútil e reducionista.
5. Promovem, em Portugal, uma cultura de pouca inteligência e emoção superficial que não explora realmente nada...
...em vez de promoverem a profundidade do trabalho de um/a autor/a, ignorando completamente tudo o que faz dos livros o valor que está tão profundamente ligado à nossa história e que influencia tanto as nossas relações e a nossa cultura.