Relações saudáveis começam aqui
Rodrigo G. GomesO que temos tendência de ignorar, normalmente por falta de conhecimento, é que uma relação existe porque duas pessoas são um reflexo uma da outra. Nós atraímos pessoas como nós, porque nós somos alguém que nos é familiar. Se nós somos pessoas conflituosas internamente, nós vamos atrair pessoas que vivem com algum nível de conflito interno.
Esse conflito, e a forma como expressamos e lidamos com isso externamente, é o que nos atrai. Eu mesmo, por exemplo, reparo na minha tendência e maior facilidade de criar e manter relações com pessoas que tomam antidepressivos ou que estudam psicologia. Existe uma compreensão subconsciente entre mim e uma pessoa assim que não existe entre mim e uma pessoa que representa uma alternativa a isso.

Ter consciência disso é mais importante do que gostamos de acreditar. E diria que é esse o caso porque ter consciência disso implica uma responsabilidade de ter uma certa atitude ou de tomar uma certa decisão. Atitude ou decisão essa que está diretamente ligada ao nosso crescimento que, normalmente, implica um desconforto que nos esforçamos para evitar quando evitamos a comunicação que é essencial numa relação com alguém ou até na nossa relação connosco.
O que acontece é que esse crescimento pessoal reflete-se na relação que temos com alguém. Quando estamos no início da nossa relação: conhecemo-nos há pouco tempo, gostamos um do outro, gostamos de dedicar tempo um ao outro, sentimos que nos entendemos um ao outro e que temos imenso em comum. Reparamos na base que existe, ou que parece existir, entre nós para uma relação.
Mas, enquanto casal, uma de duas coisas vai acontecer.
Nós vamos crescer juntos e desenvolver uma relação saudável e duradoura baseada em crescimento e comunicação. Vamos evoluir juntos e encontrar novas bases para a nossa relação.
Ou vamos, eventualmente, deixar de ser compatíveis. Essa falta de compatibilidade é algo gradual, e só é notável quando, de repente, reparamos no quão diferente está a pessoa com quem estamos. A pessoa parece, de repente, ter mudado imenso. A relação torna-se, então, conflituosa.
Neste segundo caso, uma das pessoas cresceu e a outra manteve-se estagnada. Independentemente do motivo. O que, objetivamente, cria um desequilíbrio na relação sendo que a base, o reflexo, que criou a atração em primeiro lugar deixou de existir. Já não nos vemos na pessoa com quem estamos. O “amor” desvanece e no lugar dele fica o medo do desconhecido.
Ninguém, minimamente são, gosta de dormir com desconhecidos.
Existe, claro, a possibilidade de crescermos juntos e ainda assim deixarmos de ser compatíveis por causa da forma como esse crescimento aconteceu. Talvez as nossas referências e experiências tenham sido diferentes ao ponto de crescermos de formas diferentes, e essa diferença criar essa incompatibilidade. Neste caso, as relações têm tendência de acabar de forma pouco conflituosa, é uma decisão tomada por ambos que reparam na falta de uma base para a relação continuar.
Ou seja, uma relação saudável e duradoura é resultado de um esforço individual constante e consistente de ambos os lados que acrescenta ao todo. Esforço esse que, muitas vezes, é visto como cansativo ou exigente demais para fazer sentido. Mas faz sentido. É o que cria o sentido.
Uma relação desequilibrada é mera escravidão de quem parte pedra.
Há relações que duram desequilibradas, mas isso está mais próximo de um ritual de aprovação do que de uma relação. O esforço recíproco tem de existir. Não há outra maneira. A alternativa é a solidão eterna que não deixa de existir só porque estamos com alguém.