O formato digital é o futuro dos livros?

Rodrigo G. Gomes

Se sempre leste livros impressos até agora, isto vai parecer novo para ti, mas é realmente simples. Pensa no formato digital desta forma: a mesma história, os mesmos poemas, as mesmas palavras, mas num formato diferente.

Assim como a música evoluiu de discos para plataformas de streaming, os livros evoluíram do papel para o formato digital. Sem se perder nada: ainda podemos comprar discos de música, e esses continuam a ter o seu valor (eu mesmo tenho a minha coleção de álbuns), assim como ainda podemos comprar livros que continuam a ter o seu valor.

O formato digital não veio para substituir o livro físico, é uma alternativa que serve o seu propósito no contexto certo. Poderá tornar-se norma no futuro, acredito que sim, mas pensa nisto desta forma:

  • Livros impressos, capa dura ou mole, para leituras no conforto da nossa casa.
  • Ebooks para termos toda a nossa estante no bolso todo o dia, onde quer que seja.
  • Audiobooks para ouvirmos livros enquanto trabalhamos nos nossos projetos.

Mas vamos, então, ver o que é o formato digital, como é que funciona, e porquê que é a preferência de muitos leitores e leitoras.

O que é um ebook?

Um ebook é a versão digital de um livro que podes ler através do teu telemóvel, tablet, computador ou, como eu pessoalmente prefiro, através de um ereader. Compras e transferes o ebook uma vez, e ficas com ele no teu dispositivo ou na tua aplicação de biblioteca digital.

A experiência de um ebook é a mesma experiência de um livro impresso?

No que diz respeito ao conteúdo é exatamente a mesma experiência. Mas vamos ver como é que difere do livro físico:

  • É uma experiência customizável: podemos mudar o tipo de letra, tamanho, etc. Ou seja, num ebook, a experiência acaba por ser criada também pelo próprio leitor ou leitora. O que também significa que o livro físico vai mais de encontro à visão do autor ou autora em comparação.
  • Perfeito para noites sem luz porque ler uma história de terror na escuridão é sempre mais entusiasmante, e podemos ajustar o brilho.
  • Privacidade em público: ninguém sabe, nem precisa de saber, o que é que estamos a ler a menos que escolhamos revelar.
  • Perfeito para momentos mortos: aqueles minutos, ou horas, na sala de espera ganham vida.
  • É impossível deixar de reparar no minimalismo que o ereader cria num quarto ou numa sala. Estão todos os livros num só pequeno dispositivo.

Uma questão importante para os autores e autoras, e para quem escolhe apoiar os mesmos: autores/as têm mais controlo. Eu falo disto de forma mais detalhada num texto do blog, mas, neste contexto, refiro-me ao facto de que os ebooks não têm custos nem um processo de produção como os livros impressos têm.

Eu mesmo, enquanto autor, consigo criar um ebook com facilidade. O que significa que a criação, publicação e distribuição depende somente do meu trabalho em vez de depender de editoras e livrarias que se importam pouco com alguma coisa além de lucros. Isso que parece ser, mais do que nunca, prioridade.

Eu, enquanto autor, posso decidir um preço justo, levando os leitores e as leitoras em consideração, e oferecer o meu trabalho na minha própria plataforma onde construo um universo para quem lê em vez de estar ao arbítrio de editoras.

Como é que posso ler um ebook?

O processo é simples: compramos o ebook, transferimos (pode também abrir-se automaticamente) e lemos através de uma aplicação de leitura, mais ou menos popular, ou através de um ereader.

Quando compras um ebook numa livraria, por exemplo, tens, normalmente, a aplicação própria da livraria onde podes ler o ebook. Eu, pessoalmente, acredito na liberdade dos autores/as e dos leitores/as e prefiro que os últimos escolham o dispositivo ou aplicação que querem utilizar. Eu ofereço, então, nesta loja, só o ebook.

A forma como podes transferir os meus ebooks para o teu ereader depende do ereader que tens, e certamente conheces o teu dispositivo melhor do que eu alguma vez teria capacidade de conhecer para conseguir demonstrar esse processo de forma realmente útil ou prática. Eu tenho o meu ereader, o único que usei na vida, e funciona de uma forma, mas pode funcionar de uma forma completamente diferente no teu.

Ainda assim, tenho planos de reunir o máximo de demonstrações em vídeo para adicionar aqui e ajudar-te da melhor forma possível. É uma ideia que requer algum tempo e algum esforço de mais do que uma pessoa (a menos que eu compre todos os ereaders existentes), mas é possível.

Um ereader não é necessariamente... necessário, mas é feito a pensar no formato de ebook. Podes, ainda assim, ler através do teu telemóvel, mas não tens uma experiência tão customizável como tens com um ereader.

Porquê que tantos leitores e leitoras preferem o formato digital?

Eu, pessoalmente, sempre preferi ler livros impressos. E até enquanto autor reparo na experiência que é possível criar com o formato físico ao contrário do formato digital. Mas depois de comprar o meu primeiro ereader e experimentar ler um ebook, consigo entender o luxo que é.

Estou a adorar ler ebook... Não esperava que me fosse agradar tanto. Dá para destacar excertos, adicionar anotações, e remover facilmente sem estragar nada.

Consigo entender que é uma questão de conveniência sem sacrificar o conteúdo. Posso carregar, literalmente, centenas de livros para qualquer lugar levando só o meu ereader. Além disso:

  • Não há portes nem esperas.
  • Acesso instantâneo ou, pelo menos, quase instantâneo. Não há envio.
  • Sempre acessível porque ninguém sai de casa sem telemóvel. O que também significa que temos sempre a melhor alternativa às redes sociais.
  • Podemos levar livros para todo o lado sem o risco de estragar as páginas dos livros físicos que se vão tornar mais raros quando se normalizar o ebook.
  • O ebook adapta-se a nós, molda-se à nossa rotina e não nos prende a um formato.
  • É uma biblioteca à prova do tempo. Os livros físicos deterioram-se, mas o ebook é eterno. Mesmo daqui a décadas, as nossas histórias e poemas continuam intactos, como no dia em que os comprámos.
  • Só precisamos de internet para comprar/transferir o ebook, podemos ler offline.

É possível, no próprio ereader, pesquisar pelo significado de uma palavra, marcar uma página, ver a lista de excertos destacados e anotações, e é tudo guardado automaticamente.

Na minha experiência, tornei-me menos preguiçoso para ler porque o ereader estava sempre por perto, e podia destacar excertos para estudar mais tarde (o que facilitou imenso a compreensão do conteúdo).

Porquê que os ebooks são normalmente mais baratos?

No fundo, é porque estamos (ambos os leitores e os autores) a pagar mais pela escrita e pelo conteúdo do livro do que pela impressão, papel e envio do livro. A questão importante que descrevo anteriormente, quando falo da experiência de um ebook, é válida aqui também. Criar e vender um ebook é sempre muito mais barato do que um livro físico.

Se eu mudar de dispositivo, por qualquer motivo, perco o ebook?

Não, de todo. Os teus ebooks ficam guardados na conta da tua biblioteca digital, ou na pasta onde guardaste o ficheiro. Podes entrar na tua conta ou carregar o ficheiro no teu novo dispositivo e estará lá disponível.

Os livros impressos vão desaparecer?

Diria que não, mas acredito que se vão tornar relíquias. Explico o que é que me faz acreditar nisso na resposta da questão a seguir.

Os livros físicos são como os discos de música: é algo valioso que se estima, coleciona e que carrega valor emocional de uma forma que o formato digital não consegue carregar ou oferecer.

Os ebooks são como os serviços de streaming: prático, instantâneo e portátil. É o mesmo conteúdo num contexto diferente para propósitos diferentes.

Ambos os formatos têm o seu valor, sem dúvida, mas ainda assim: ebook não é papel. Digo isto ainda acreditando que o futuro dos livros é o formato digital.

Um ebook não substitui a leitura. Não estamos a perder o livro ou a experiência. É um aprimoramento conveniente do acesso às nossas leituras. Ainda temos direito aos mesmos mundos, às mesmas histórias, aos mesmos personagens, aos mesmos poemas, e às mesmas emoções.

O que é que te faz acreditar que os ebooks vão tornar-se norma?

Basicamente, diria que vamos chegar a um ponto em que vai deixar de fazer sentido criar e comprar livros físicos. Uma evolução que reflete muito bem o que acontece no mundo da música, com todos os serviços de streaming. Além do que já expliquei neste texto: é um formato mais barato e conveniente para todos.

Eu prefiro livros físicos, mas diria que ebooks e audiobooks são o futuro dos livros. Vão, lentamente, tornar-se a norma enquanto os físicos tornar-se-ão relíquias.

Os ebooks, segundo uma pesquisa que fiz com a ajuda de inteligência artificial, ganham uma média de interesse anual de 8%. Parecem, objetivamente, ser o futuro por muito que nos doa.

Inteligência artificial já está e vai continuar a tornar produções cada vez mais fáceis e baratas, e trabalha especialmente bem online. Ajuda no mundo físico também, mas o que é digital é sempre mais simplificado.

Nós adoramos conforto e o que é conveniente. Seja a nível financeiro, emocional, até racional… Nós resistimos ao que é difícil e aceitamos facilmente o que é fácil. Diria que, eventualmente, deixaremos de resistir à ideia de termos uma estante mais barata no bolso.

Tudo está e vai continuar a tornar-se digital. Redes sociais, contas bancárias, o próprio dinheiro vai tornar-se somente digital, relações, entretenimento, trabalho… Por muito deprimente que isto soe, faz-me sentido. Eu estimo os meus livros físicos como se fossem barras de ouro.

Mas talvez esteja a exagerar, a pensar demais, e esteja completamente errado. Ou talvez esteja só preocupado com a ideia de não conseguir criar a experiência palpável que crio, e que tanto valorizo, quando se trata de um livro impresso.